terça-feira, 30 de abril de 2013

little talks


Era sobre isso que eu queria te falar: sobre essas pequenas conversas que precisamos ter com nós mesmos; com esses seres, muitas vezes desconhecidos, que habitam em nós e às vezes falam mais alto.
Era sobre essa cobrança que a gente se faz de sermos fortes o tempo inteiro. Quer saber? Quando a gente mostra nossas fraquezas pras pessoas "certas" a gente não tem que dar satisfação de nada. Talvez essa seja uma enorme e sutil prova de amor. Quem gosta da gente mesmo aguenta nossos momentos de tristeza porque sabe que não somos perfeitos. O que me leva até aquela frase que te disse: "cê precisa de um colo pra chorar"... Deve ter alguém no mundo que você confie o suficiente pra fazer isso.
Também era sobre essa máscara que você veste todos os dias antes de sair pro trabalho, mas esquece de tirar. Não adianta muito, sabe? Você pode esconder um monte de coisas: suas rugas, suas marcas, essa sua cicatriz no meio das tuas sobrancelhas que você fez quando era adolescente. Mas dá um trabalho tão grande... E, de tão ocupado com esse movimento você perde as coisas boas que vão aparecendo ao seu lado.
Quando a gente pára pra se ouvir melhor começa a, pelo menos, desconfiar dos momentos em que devemos abrir mão dessa máscara.
Te escrevi hoje só pra dizer isso, e que essa sua idéia de fazer análise não vai dar em nada se você não estiver disposto a ter essas conversas consigo; a assumir que, muitas vezes, não entende seus porquês. Continuar nessa eterna labuta em abafar os teus gritos internos não vai levar a nada ...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Carta para o amigo que está longe (ou Existe amor em SP)

Noutro dia falávamos sobre saudade, certo? Você basicamente me disse: "lide com o fato d'eu estar longe, faça novos amigos, me substitua." Espero, sinceramente, que isso tenha sido uma brincadeira sua.

Por acaso estava ouvindo aquele texto "Filtro Solar", da cronista Mary Schmich, na voz do Pedro Bial. Uma das partes que mais gosto é quando ele diz: "Entenda que amigos vão e vêm, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. Esforce-se de verdade pra diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida. Porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem." De fato, nunca abro mão dos meus poucos, porém ótimos amigos. Andei pensando muito nessas coisas desde que a gente falou sobre saudade. Não sei se já aconteceu com você, mas às vezes sinto como se algumas pessoas me escapassem por entre os dedos... Detesto essa sensação. Felizmente, não é que acontece com relação a você.
 
Fazer novos amigos, tenho certeza de que sou capaz. Tudo bem, amigos de verdade, não tenho tanta certeza. Mas não é algo impossível, ou é ? Agora, substituir você, definitivamente, não vai ser possível. Porque não é qualquer pessoa que me atura mesmo quando nem eu mesma tenho mais paciência comigo; que sai de casa de madrugada pra me fazer companhia porque estou triste; que vai comigo beber num dia entediante; que vai até o shopping só porque quero tomar um café ... Nem todo mundo acha graça nas piadas que faço (tudo bem, muitas não têm graça mesmo); nem todo mundo atura minha TPM ou minha tensão/depressão/bipolaridade permanente; nem todo mundo curte Los Hermanos como eu; gosta de política; me abraça quando eu peço sem pedir explicações; nem todo mundo me ouve; nem todo mundo me entende ...
 
Pois é, meu amigo, se as coisas ficarem muito difíceis coloco um anúncio no jornal e vejo se aparece alguém com todas suas qualidades e todos seus defeitos. Mas, deve ser mais fácil e mais rápido pegar um ônibus ou um avião e ir até São Paulo pra matar a saudade. Ouvi dizer que esse tipo de homicídio é perdoável ...
 
 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Um ano depois ...


Tendo se passado pouco mais de um ano desde a última postagem resolvi voltar a publicar alguns pensamentos por aqui… Difícil explicar o porquê, acredito que em parte esteja relacionado a ter voltado a ler algumas coisas que não lia há um tempo, de estar lendo alguns textos que um amigo pulica em seu blog, por ter lido algumas das minhas postagens antigas e também por ter tido, dia desses, uma iluminação poética ou algo semelhante.

Também tenho me inquietado bastante com a “crise dos vinte e poucos” que tem afligido a mim e aos que estão próximos... Uns procuram emprego, outros procuram horizontes, outros amores, completudes, conhecimentos, aventuras, estabilidades... Todos procuram. Talvez crescer, ou amadurecer, ou qualquer nome que se dê pra adjetivar “ficar mais velho, sem rumo e nostálgico”, tem muito a ver com entender que somos todos incompletos, afinal. Estaremos sempre insatisfeitos, à procura de algo que nos falta. E, além disso, sozinhos em nossas buscas intermináveis. Meus amigos estão cada um de um lado, em busca daquilo que desejam conquistar. Uns choram os anos que se passam, outros buscam amores e os encontram cada semana em uma esquina diferente, outros sentem-se abandonados, outros fracassados... Todos sofrem.

Virginiana e prática que sou, tenho tentando encontrar respostas pra essas questões, ou ao menos tenho tentado saber o que dizer quando os desabafos chegam a mim. Não sei. Nada que eu diga vai ser suficiente, nada vai confortá-los. No máximo, vai fazê-los rir por alguns minutos e depois tudo volta a ser como antes. E sei disso por estar no mesmo barco, à procura. Por também não saber o que fazer, nem ter pra onde correr. Talvez seja isso: estamos todos imersos em nossos caos particulares...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Do (meu) medo.





Em meio a essa caosmose cá estou à uma hora da manhã de uma segunda-feira ouvindo Incubus e pensando sobre o medo. Penso que a letra da música dispensa maiores explicações, afinal quem nunca se sentiu dessa forma ? 
O medo é algo que me impede de realizar diversas vontades, diversos desejos. Não recordo de nenhum momento em que ele não estivesse presente. Algumas vezes desencadeando uma angústia, outras camuflado, quase imperceptível. Mas quase sempre como algo inquestionável, que não pode ser posto em suspenso. Quase nunca me interrogo a respeito do porquê do meu medo. Quase nunca o reconheço. Há apenas algo que me impede, e eu paro por aí.

Saber reconhecê-lo talvez seja o primeiro passo. A próxima questão é decidir se vou continuar permitindo que ele me conduza, como e quando vou abrir excessões. 


'Would you choose water over wine?
Hold the wheel and drive?'

  


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tempo de fazer planos


'(...) Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Não te preocupa. O que acontece é sempre natural — se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz — a única que pintou até agora, “nesta minha vida de retinas fatigadas”. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito. Tô morando, trabalhando, estudando e amando. Esses são os quatro foles da minha vida, no momento, e sobre cada um deles eu teria milhares de páginas a preencher. Sei lá, menina, tá tudo tão legal — e um legal tão batalhado, um legal merecido, de costas e pernas doendo, mas coração tranqüilo.
(...) A gente sangra e geme — mas sai mais vivo, “com a vida dividida pra lá e pra cá”. O que não queria é que você futuramente talvez me culpasse, entende? Mas acho que é besteira ficar tentando desvendar o futuro — apesar do tarot e do I Ching. Ao mesmo tempo gostaria que tomássemos alguma providência sobre a sua vinda. Mande me dizer o que você pensa de tudo isso mas pense bem, é uma coisa séria — muito mais do que a gente pensa quando está aí. (...) Quero sonhar com você, com o sol e o cometa que vem no fim do ano — eu tô sabendo.' 


 (Trechos da carta de Caio Fernando Abreu para Vera Antoun)
http://caiofabreu.blogspot.com/2010/09/vera-antoun_3384.html


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Perdi as contas de quantas vezes abri a caixa de "nova postagem" e comecei a escrever uma, duas ou três frases; apaguei e deixei pra lá. Não escrevo mais mesmo tanto quanto antes, nem aqui nem em outro lugar qualquer. Mas têm dias em que é impossível fugir, deixar pra depois. Até porque Caio Fernando Abreu sempre ajuda, decifra todos os sentimentos ao pé da letra.
E, bem, tenho estado assim: de coração tranqüilo. Vez ou outra ele dispara e perde o compasso, a barriga esfria e as borboletas fazem a festa.  
É tempo de fazer planos, de desejar todos os dias se mudar pra outro Estado ontem; sentir saudade do que ainda não chegou e do que ainda não passou; de quem ainda não veio e de quem veio mas ainda não foi; de desejar que chova e faça frio; de ótimas leituras; de reencontros que podem durar pra sempre ... E sobre cada uma dessas coisas eu, certamente, ainda terei muito o que escrever - e sentir.

'Smile below each nose and above each chin.'



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sobre meu primo, as nuvens e o Universo ao redor.


Quando era criança eu e meu primo éramos muito próximos. Lembro de assistirmos Cavaleiros do Zodíaco na casa dos meus tios e brincarmos na casa de nossos avós. Eu era fã de tudo o que ele fazia e me sentia orgulhosa de nossas características em comum: covinha na bochecha apenas de um lado e uma forma estranha e errada de segurar lápis e canetas.

O tempo passou, não sei mais o que temos em comum ou não. Nos afastamos aos poucos como acontece comumente em muitas relações. Ele, ao terminar a graduação, foi morar fora do país. Eu, ao iniciar a graduação, fui morar em outra cidade. E por conta destes e de outros fatos ficamos um longo tempo sem muitas notícias um do outro. Até que, depois de anos, nos falamos rapidamente pela internet. Chorei. Ao ver meu primo pelo vídeo foi como se visse um reflexo meu, ou de parte do que eu era naquele momento. Ao mesmo tempo uma série de memórias passou como slides pela minha cabeça. Os finais de semana no Mundo Novo de certo são as lembranças que mais fazem o coração ficar bem pequenininho. Crescemos – pensei – envelhecemos.

Mas, acredito que pelo menos uma pequena parte de nós corresponde àquelas crianças que corriam pela casa dos avós nos finais de semana de muitos anos atrás. Acredito que ele ainda tenha algo daquele menino que dividiu comigo sua descoberta num dia triste de céu claro: “olha, as nuvens andam!”. E acredito que eu ainda seja, em parte, aquela mesma menina que por um instante, dois ou mais olhou para o céu sobre si e percebeu que era verdade. De fato foi a partir daquele momento que eu soube observar melhor as coisas, que eu soube que era preciso calma e paciência, pois meu primo me disse que só seria capaz de perceber se prestasse bastante atenção.

Agora eu sei que, como as nuvens, tudo caminha, tudo anda, tudo é água e por isso flui. Mas é preciso ter calma, pode ser que se mova lentamente e de forma não tão perceptível; é preciso olhar para onde nunca se olhou antes; é preciso parar e observar cuidadosamente o Universo que se move ao redor ...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Re-amar

Eu entro nesse barco, é me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.

Remar. Re-amar. Amar.

( Caio Fernando Abreu )


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Recomeçar.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Pra dizer alguma coisa .


Porque você se faz
O que não pode ser
Muito mais forte
Inofensivo

Tá complicado de dizer
Alguma coisa
Você não ouve
Não me responde


E eu acho que a gente precisa se perder um do outro
Que a gente deve correr pra lados opostos
Começar de novo nossas histórias
E depois num novo encontro
Se reconquistar
Mas o meu medo é que a gente acabe se esquecendo
E se perdendo por completo

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Para Janeiro .

- Como anda a vida ?

- Cheia e vazia, entende ?

Janeiro tem sido assim até agora. Nem me dei conta de que o mês tinha começado e ele já está terminando. Quase nunca tive tempo de ficar em casa fazendo nada ou de dormir muito, além do necessário, como é costume meu nas férias. E tem sido bom, toda essa correria me deixa sem tempo pra pensar demais nas coisas. Mas, não posso negar que ao mesmo tempo há um vazio que poderia ter sido habitado, que poderia ter sido preenchido, e até agora não sei onde colocar a culpa.

Acho que isso é o que posso deixar aqui para Janeiro.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Das tormentas .

Engraçado, Novembro chegou e vai embora tão rápido, exatamente como eu quis que acontecesse. Não vejo mesmo a hora de o ano acabar, de começar um outro, de eu poder recomeçar, ou ao menos pensar que recomeço. Mas, ao mesmo tempo trouxe de volta algumas tormentas, algumas ondas pesadas. Eu não tive tamanha pretensão de achar que elas haviam passado, mas de alguma forma pensei que havia aprendido a lidar com elas, a nadar do mesmo jeito, ainda que fazendo um esforço grande.
Acontece que pelo caminho a gente encontra coisas tão bonitas que não percebemos o esforço, mas uma hora ou outra ele se faz perceber. E isso não significa que as coisas bonitas já não mais sejam vistas, mas que ainda com elas o corpo está pesado, cansado.
É difícil parar e pensar em tudo novamente, calcular cada ato, cada palavra, tudo o que não faz mais sentido. É estranho e incômodo perceber que algumas coisas tenham se perdido de um jeito tão bobo que me fazem pensar: 'então, elas não eram tão grandes, tão fortes, tão inabaláveis assim'. E eu penso ainda em todo o tempo que eu perdi por elas, em todas as outras coisas grandes que eu neguei por pensar que as que eu possuía eram suficientes.
Se houvesse uma borracha capaz de apagar coisas desse tipo, eu as apagaria, ainda que com elas tivesse que apagar as coisas bonitas.

' So tell me when you hear my heart stop, you're the only one that knows !
Tell me when you hear my sobbing, there's a possibility I wouldn't know .
So tell me when my crying's over, you're the reason that I'm crying .
Tell me when you hear me falling, there's a possibility it wouldn't show . '

( Possibility - Lykke Li )


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Se você vir um par de sapatos, um para cima outro pra baixo
Ou um surfista elegante de sociedade
Se você sentir que está ventando demais e não tiver agradável
O vento que estava tão bom
Então lembre-se de mim
Com minha hipocrisia

Um amor como o nosso está fadado a acabar
E eu já não tenho mais fôlego pra soprar a fogueira
Você parece barata tonta, envenenada por Rodox
E teu barato já tá muito descoordenado
E desse jeito não vai dar
Então se você vir um tarado na escada
Lembre-se de mim
Um vira-lata emocionado
Lembre-se de mim
Lembre-se de nós e a nuven alaranjada
Lembre-se de nosso amor
Com as decisões que tomamos juntos
Das nossas músicas malucas
E esse talento de tomar a cena de assalto
Pagamos o preço, por não sermos medíocres
Lembre-se disso quando for falar mal de mim
Lembre-se da nuven e da luz
Alaranjada no lustre do quarto

( Cazuza )

sábado, 31 de outubro de 2009

Da Confiança .

Assim disse o Nário:

Confiança

s.f. Esperança firme em alguém, em alguma coisa: ter confiança no futuro. / Sentimento de segurança, de certeza, tranqüilidade, sossego daquele que confia na probidade de alguém: perder a confiança do chefe. / Segurança: não ter confiança em si. / Crédito: homem de confiança. // Dar confiança, dar importância a alguém, permitir intimidade. // Voto de confiança, no regime parlamentar, aprovação dada à política do governo pela maioria do Parlamento.

-

'Perto de ti dança minha alma desarmada.' Essa frase - já posta aqui antes - é o que melhor define confiança para mim. Acho que é exatamente isso: baixar a guarda, deixar de lado o modo absolutamente racional para que o inconsciente tome seu lugar. Algo raro, ainda mais nos dias de hoje.

Mas, a cada vez que nos reencontramos sinto exatamente isso. Minha alma dançando levemente pelo espaço entre nós, livre de qualquer preceito, julgamento e coerência. Parece que, de alguma forma, eu abandono esse mundo para estar durante algum tempo num universo pararelo que só serve para duas pessoas. As regras são apenas nossas e nada disso é aparente para mais alguém. Os que olham de fora talvez nos vejam bobos que não somos.

Sensação rara de familiaridade, casa, aconchego, segurança, paz. Tudo o que me faz querer sempre estar por perto.

Uma razão para que a saudade esteja sempre presente, ainda que apenas dois dias tenham passado desde a última vez.

domingo, 25 de outubro de 2009

Linger ( The Cranberries )


If you, if you could return, don't let it burn, don't let it fade.

I'm sure I'm not being rude, but it's just your attitude,
It's tearing me apart, It's ruining everything.

I swore, I swore I would be true, and honey, so did you.
So why were you holding her hand ?
Is that the way we stand ?
Were you lying all the time ?
Was it just a game to you ?

But I'm in so deep.
You know I'm such a fool for you.
You got me wrapped around your finger,
Do you have to let it linger ?
Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger ?

Oh, I thought the world of you.
I thought nothing could go wrong,
But I was wrong.
I was wrong.
If you, if you could get by, trying not to lie,
Things wouldn't be so confused and I wouldn't feel so used,
But you always really knew,
I just wanna be with you.

But I'm in so deep.
You know I'm such a fool for you.
You got me wrapped around your finger,
Do you have to let it linger ?
Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger ?

And I'm in so deep.
You know I'm such a fool for you.
You got me wrapped around your finger,
Do you have to let it linger ?
Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger ?

You know I'm such a fool for you.
You got me wrapped around your finger,
Do you have to let it linger ?
Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger ?
-
às vezes são tantas as coisas que precisam ser ditas que eu acabo escolhendo ficar em silêncio.
a vida continua louca, sem sentido, uma montanha russa do terror: cheia de fracassos, medos, sentimentos mal resolvidos ...
desde o início não pensei que fosse ser tão difícil, relacionei o tempo à força e estava errada. tempos atrás eu era mais forte.
enfim, no meu caso é o tempo passar. deixa estar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Just for you .

Foi bom você ter vindo, e ter me levado para passear. Já não tenho muito tempo para simplesmente passear, e você chegar assim de tão longe era uma ótima desculpa. Sem contar que passeios de bicicleta me fazem um bem danado, você sabe.

Você disse logo que me viu que eu estava diferente, que tinha alguma coisa errada. Algumas pessoas realmente conseguem olhar nos nossos olhos e enxergar para muito além das cores. Ou talvez, consigam mesmo enxergar as cores de verdade. Você fez isso de um jeito tão doce que me deixou mais leve. Por mais que eu não pudesse e não quisesse te contar tudo o que anda acontecendo você soube dizer tudo o que eu venho dizendo a mim nesses últimos dias.

Você respeita meu silêncio como poucos conseguem respeitar. Nem todo mundo sabe que o silêncio não é sempre falta do que dizer, e sim excesso de palavras ainda não ditas. Nó na garganta.

E eu só queria te contar agora que tudo melhorou desde que você passou por aqui, que esses dias foram mais calmos, que eu consegui sorrir mais e me apaixonar pelas coisas de novo. De um jeito mais manso, em doses pequenas.

Cai uma chuva por aqui que não se cansa, ainda ontem ficamos horas no trânsito. Tempo disponível para (não) pensar nas coisas, para ouvir músicas, para trocar palavras.
Sei que por aí a chuva ainda não se cansou também.

Gosto assim: chuva, frio, filme, café.

Poderia ter ligado pra te dizer essas coisas, mas sei que mais tarde você liga. E gosto de palavras, cartas, coisas assim, escritas, você sabe.

Meu afeto, muitos beijos.

domingo, 27 de setembro de 2009

Pra dizer adeus

' Às vezes fico assim pensando
Essa distância é tão ruim
Por que você não vem pra mim ?
Eu já fiquei tão mal sozinho
Eu já tentei, eu quis chamar
Não dá pra imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Pra dizer adeus, pra dizer jamais '



... ainda falta arrumar as malas. e tem sido assim há tempos. e ele não faz idéia, não sabe o que me falta, o que me sobra. não sabe que nesses dias, nessas horas penso que talvez seja melhor sossegar as malas, sossegar as mudanças. não sabe do medo.

... ainda restam alguns comprimidos que fazem a dor de cabeça ser menos cruel. faltam comprimidos para o frio na barriga, o aperto no coração, o nó na garganta.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Para uma avenca partindo .

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.

( Caio Fernando Abreu )

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Amor e deserto .


Balada de Agosto

Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado
Tanto orgulho que não meço
O remorso das palavras que não digo
Mesmo na luz não há quem possa se esconder do escuro
Duro caminho o vento a voz da tempestade
No filme ou na novela
É o disfarce que revela o bandido
Meu coração vive cheio de amor e deserto
Perto de ti dança a minha alma desarmada
Nada peço ao sol que brilha
Se o mar é uma armadilha nos teus olhos

( Fagner e Zeca Baleiro )

... Agosto já foi. Eu tinha colocado uma luz verde, que brilhava muito fraca, nesses 31 dias que passaram. E passaram. A luz verde também passou, parou enfim de brilhar. O que ficou é um silêncio frio, dentro e fora, que devora.

domingo, 30 de agosto de 2009

Um sonho .

' A gente se apertou um contra o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro. '

( Caio Fernando Abreu )

... poderia dizer muitas coisas, mas nunca que o fim não foi belo. Palavras erradas voavam ligeiras, embora os olhos verdes esperassem minha resposta correta. Silêncio. O abraço firme e macio me salvava do mundo, um beijo quente molhava. A mão que me segurou no escuro me pedia pra ficar. Uma frase. O que eu não ouvi.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Fluidez .


' A água flui, vai para a frente. Isto também vai passar. Mas não compreendo. Então um lado meu pensa: é sina, é fado, é destino, é maldição. Outro lado pensa: não, é mera neurose, de alguma forma sutil devo construir elaboradamente essa rejeição. Crio a situação, e ouço um não. Desta vez, eu tinha tanta certeza. E penso: os deuses me traíram, os búzios me atraiçoaram, as cartas me mentiram. '

( Caio Fernando Abreu )

domingo, 23 de agosto de 2009

Que seja doce .

‘(...) Adeus você
Não venha mais me negacear
Teu choro não me faz desistir
Teu riso não me faz reclinar
Acalma essa tormenta
E se agüenta, que eu vou pro meu lugar (...)’

( Marcelo Camelo )

A Despedida.

Não sentia os minutos que corriam velozes, mas lentas gotas de chuva fria caíam sobre seus cabelos, seu rosto, seus ombros. Uma a uma. Deitava então a noite.

Ao seu lado alguém que agora era um desconhecido. Perdido em paixões, palavras, sorrisos, amores, braços, abraços. Desconhecidos.

O silêncio gritava sonhos, desejos, medos em seu ouvido. Perguntas, respostas. Riu-se. Na pressa de entender, de chegar ao ponto certo não havia olhado ao redor. Margaridas, bicicletas, arco-íris, laços, outros.

Uma lágrima quente, tímida, nadou de encontro à chuva. Não há tristeza em seu olhar. Suas asas agora batem coloridamente.

- Seja feliz, seja muito feliz. Eu vou ser. Muito.

Entregou-lhe o último beijo, o último sorriso. Fortes, corretos, simples. E com os pés molhando o mar, estrelas escorrendo pelo corpo voou para além daquilo que, ao lado dele, não conseguia enxergar.